Raphael F. ChavesAdvocacia
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Direito do Trabalho

FGTS não depositado pela empresa: o que o trabalhador pode fazer?

A ausência ou irregularidade dos depósitos pode ser identificada pelo próprio trabalhador. Antes de tomar qualquer decisão sobre o contrato, é importante conferir o histórico e compreender as particularidades do caso.

Raphael Fagundes Chaves, advogado em Itajubá-MG e região
Raphael Fagundes Chaves OAB/MG 219.318

Se a empresa não depositou o FGTS, o trabalhador pode conferir os períodos em aberto pelo extrato da conta vinculada, guardar os comprovantes e exigir a regularização. Dependendo da extensão da irregularidade e das demais circunstâncias do contrato, também pode ser necessária uma medida trabalhista.

O recolhimento é responsabilidade do empregador e não deve ser descontado do salário. Para a maior parte dos empregados regidos pela CLT, o depósito mensal corresponde a 8% da remuneração paga ou devida, mas a forma de cobrança e os efeitos da falta de pagamento dependem do histórico e dos documentos disponíveis.

Se a situação estiver acompanhada de outras irregularidades no contrato, conheça também a atuação em Direito do Trabalho em Itajubá-MG.

Como conferir se o FGTS está sendo depositado?

O trabalhador pode consultar o extrato das contas vinculadas pelo aplicativo FGTS, disponibilizado pela Caixa Econômica Federal. O ideal é conferir todo o período do contrato, e não apenas o saldo total, porque o extrato permite observar os depósitos correspondentes a cada competência.

  1. Acesse o aplicativo FGTS pelos canais oficiais da Caixa.
  2. Localize a conta vinculada ao empregador que deseja consultar.
  3. Confira se existem depósitos em todos os meses trabalhados.
  4. Compare os lançamentos com holerites, datas do contrato e eventuais afastamentos.
  5. Guarde o extrato completo, preferencialmente em PDF.

O valor mensal normalmente equivale a 8% da remuneração. Há regras diferentes para situações específicas, como o contrato de aprendizagem, em que o percentual é de 2%. O vencimento do FGTS mensal ocorre, em regra, até o dia 20 do mês seguinte à competência.

O que pode explicar o FGTS atrasado ou não recolhido?

A ausência de lançamentos pode decorrer de inadimplência do empregador, informação incorreta, recolhimento vinculado a outra conta ou particularidades do contrato. Por isso, visualizar uma diferença no aplicativo é um sinal para apuração, mas não substitui a conferência completa dos documentos.

Também é importante distinguir um atraso isolado de uma irregularidade prolongada. A quantidade de meses sem depósito, a continuidade do vínculo e a existência de outros descumprimentos podem influenciar a análise jurídica.

Exemplo hipotético

Imagine um trabalhador que, ao consultar o extrato, percebe a ausência de depósitos em diversos períodos, embora seus holerites indiquem vínculo e pagamento normal do salário. O extrato ajuda a identificar as competências afetadas, mas ainda será necessário conferir afastamentos, remunerações e documentos do contrato antes de indicar a medida adequada.

Quantos meses de FGTS atrasado podem justificar uma medida?

Não existe na lei um número fechado de meses que produza automaticamente o mesmo efeito em todos os contratos. A jurisprudência trabalhista reconhece que a ausência reiterada ou o recolhimento irregular do FGTS pode representar descumprimento grave das obrigações do empregador, mas a conclusão depende do conjunto de fatos e provas.

São relevantes, entre outros elementos, a duração da irregularidade, a quantidade de competências atingidas, a continuidade do problema, a existência de outros descumprimentos e a situação atual do vínculo. Por isso, comparar o caso apenas com um número encontrado na internet pode levar a uma decisão inadequada.

Quais documentos devem ser preservados?

  • Extrato analítico ou completo do FGTS
  • Carteira de Trabalho física ou digital
  • Contrato de trabalho e alterações contratuais
  • Holerites e comprovantes de pagamento
  • Termo de rescisão, se o contrato já terminou
  • Mensagens ou comunicações sobre os depósitos

Esses materiais ajudam a identificar os meses atingidos, a remuneração utilizada como base e a eventual existência de outras irregularidades. Nem todos os documentos serão necessários em qualquer situação; a análise deve ser individual.

O trabalhador pode cobrar o FGTS não depositado?

Os depósitos ausentes ou incompletos podem ser objeto de regularização ou cobrança, conforme as circunstâncias. Quando a empresa não pagou o FGTS corretamente e o contrato já terminou, a conferência também pode revelar diferenças que não foram consideradas na rescisão.

Antes de escolher uma medida, é necessário avaliar o período atingido, os prazos aplicáveis, a situação atual da empresa e os documentos existentes. A simples identificação de uma diferença não permite estimar automaticamente valores nem antecipar o resultado de uma eventual ação.

Qual é o prazo para cobrar o FGTS não depositado?

Em regra, podem ser cobrados os depósitos de FGTS correspondentes aos cinco anos anteriores ao ajuizamento da ação. Se o contrato de trabalho já terminou, a reclamação deve ser apresentada em até dois anos após o encerramento do vínculo.

Isso significa que os cinco anos não são contados simplesmente a partir da demissão: o período é verificado retroativamente com base na data em que a ação é ajuizada, sempre respeitado o limite de dois anos após o término do contrato. Contratos e depósitos antigos podem envolver particularidades, por isso a contagem deve ser confirmada individualmente.

FGTS não depositado pode justificar rescisão indireta?

A rescisão indireta ocorre quando uma falta grave do empregador torna possível ao empregado buscar o encerramento do contrato com efeitos semelhantes aos de uma dispensa sem justa causa. O artigo 483, alínea “d”, da CLT trata do descumprimento das obrigações contratuais pelo empregador.

A jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho reconhece que a ausência ou irregularidade nos recolhimentos do FGTS pode configurar falta grave. Entretanto, isso não significa que o empregado deva simplesmente deixar de comparecer ao trabalho. A forma de afastamento, as provas e o procedimento adequado precisam ser avaliados antes de qualquer decisão.

Atenção: abandonar as atividades ou pedir demissão sem compreender os efeitos jurídicos pode alterar os direitos discutidos posteriormente. A orientação individual deve ocorrer antes da tomada de decisão.

Como funciona a análise em uma reclamação trabalhista?

O primeiro passo é organizar o extrato analítico e os documentos do contrato para identificar quais períodos estão sem recolhimento e qual remuneração deveria servir de base. A partir disso, podem ser discutidos a regularização dos depósitos, o pagamento das diferenças e, quando houver fundamento, os efeitos da irregularidade sobre o encerramento do vínculo.

Apresentada a reclamação, a empresa pode contestar os fatos e juntar seus comprovantes. O juízo examina os documentos e as demais provas necessárias antes de decidir se existia inadimplemento, quais competências foram atingidas e quais consequências jurídicas são cabíveis. Quando também se pede rescisão indireta, o reconhecimento depende da gravidade demonstrada no caso concreto.

Não há prazo único para o término do processo. Audiências, produção de provas, recursos e particularidades de cada unidade judiciária podem alterar sua duração. Essa explicação representa apenas uma visão geral e não substitui a definição da estratégia aplicável a cada contrato.

Perguntas frequentes

A empresa pode descontar o FGTS do salário?

Não. O FGTS não é um desconto suportado pelo empregado. O recolhimento é obrigação do empregador.

A falta de apenas um mês já gera rescisão indireta?

Não existe uma resposta automática aplicável a todos os contratos. A extensão da irregularidade, sua gravidade e o conjunto de fatos precisam ser analisados.

FGTS atrasado gera automaticamente a multa de 40%?

Não. A multa de 40% do FGTS não surge automaticamente pelo simples atraso dos depósitos mensais. Em regra, ela está relacionada à dispensa sem justa causa e também pode integrar os efeitos de uma rescisão indireta reconhecida. A modalidade de encerramento do contrato precisa ser analisada antes de indicar quais parcelas são devidas.

Posso cobrar os depósitos depois de sair da empresa?

Sim, desde que sejam observados os prazos aplicáveis. Em regra, a ação deve ser ajuizada em até dois anos após o término do contrato, alcançando os depósitos exigíveis dentro do período legal. O extrato completo e os documentos da rescisão são importantes para essa conferência.

Continuar trabalhando significa que aceitei a irregularidade?

A permanência no emprego não elimina automaticamente a possibilidade de questionar os depósitos. Ainda assim, a avaliação depende dos fatos e das provas do caso concreto.

Quando procurar orientação trabalhista?

A orientação pode ser útil quando faltam depósitos durante vários meses, quando os valores não correspondem à remuneração, quando a empresa não regulariza a situação ou quando o trabalhador considera encerrar o vínculo em razão do descumprimento.

O atendimento pode ser realizado presencialmente em Itajubá-MG ou online. No primeiro contato, é possível indicar quais documentos serão necessários para uma análise inicial.

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Conteúdo revisado por Raphael Fagundes Chaves — OAB/MG 219.318.Pós-graduado em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho.Pós-graduado em Direito das Famílias e Sucessões.

Fontes consultadas

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